quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Entrelinhas


Ao longo da semana anterior, deparei-me com a seguinte indagação: Se Davi foi livre dos seus temores quando ele buscou ao Senhor (Salmos 34: 4 - ARA), por que os meus ainda persistem? No mesmo poema, mais à frente, o salmista sugere que experimentemos da bondade, da proteção e do livramento do Altíssimo quando ele afirma categoricamente: "Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia" (Salmos 34: 8 ARA). Ainda mais à frente, o salmista também sugere que as aflições  e os livramentos fazem parte da nossa caminhada ao asseverar: "Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra" (Salmos 34: 19 ARA). 

Uma nova semana teve início quando, em conversa com a minha amada sobre minhas indagações, surgiu o texto bíblico utilizado em um culto há uns meses, na cidade de Guarapari-ES. Era uma terça-feira e houve um culto voltado para o público feminino. Na véspera, havíamos participado da reunião noturna daquela igreja quando a programação foi anunciada. Como a igreja era perto de onde estávamos hospedados e minha esposa desejou participar, fomos.

Naquele culto para as mulheres, éramos poucos homens presentes. Ao chegarmos lá, perguntei à equipe de recepção se eu poderia entrar. Permissão concedida, participei daquela reunião. Entre outras reflexões bíblicas, cânticos congregacionais e informações sobre o trabalho feminino da Convenção Batista do Espírito Santo naquela cidade,  a pregadora se valeu do texto bíblico abaixo para a reflexão principal.

Hebreus 4: 14 a 16 ARA

¹⁴ Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão.

¹⁵ Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

¹⁶ Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

Voltando ao presente, fiz uma busca nas minhas anotações a partir do que foi ensinado naquela noite. Entretanto, mesmo que não as possuísse, a simples releitura dos versículos acima seria (como foi) suficiente para aquietar meu coração em relação à indagação inicial, mas um aquietar do tipo puxão de orelhas. Tenho vergonha de desenvolver os versos acima, pois eles são muito óbvios em relação ao que me faltou crer com o coração. 

É mais ou menos o que a professora de Educação Musical do antigo ginasial fez comigo. Seu nome era Maria Lúcia.  Em uma aula, foi pedido aos alunos que se sentassem em duplas. Uma música instrumental seria executada. Deveríamos ouvi-la com atenção e, em seguida, um desenho deveria ser feito. Atividade cumprida. Atividade entregue pelo meu parceiro de dupla à professora. Minutos depois, fui chamado à sua mesa. Ela me pediu para ler mentalmente o que estava na folha em que o desenho deveria ter sido feito. Não me recordo literalmente de cada palavra, mas o que meu colega de dupla escrevera era mais ou menos assim: "Por causa do meu colega do lado, não pude me concentrar para elaborar o desenho". Lidas aquelas palavras, a professora me perguntou se eu havia compreendido o recado, no que lhe respondi afirmativamente. Por fim, ela mandou-me sentar.

Cristo repetiu, cinquenta anos depois, a mesma pergunta feita pela minha ex-professora Maria Lúcia:  "Você compreendeu o recado?" 

Fernando Fernandes





 


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