Orvalho Matinal
sexta-feira, 24 de novembro de 2023
Casa no campo
quinta-feira, 1 de junho de 2023
Natureza
Há momentos
que os dois necessitam
ser vigiados.
Acontece até na natureza.
Os dois se olhando
e vigiando o
espaço
que lhes pertencem.
Acontece até na natureza.
Os dois se estudando
e avaliando
as possibilidades
futuras.
Acontece até na natureza.
O cuidado um pelo outro começa nas
pequenas facetas!
Assim somos nós:
Somos vigiados
Nos vigiamos
Vigiamos nosso espaço
Estudamos nosso futuro.
Nos cuidamos.
Acontece até na natureza.
domingo, 19 de março de 2023
Ferreira Gullar e Carlos Drummond de Andrade: uma intertextualidade
Breve comentário
Intertextualidade significa diálogo entre textos. E esse diálogo pode acontecer de diferentes maneiras. No nosso caso, não faz diferença se um texto motivou um novo texto ou não. Se essa intertextualidade é percebida pelo leitor, está valendo. Fiquemos com a última hipótese.
O poema 1 parte da certeza de que a vida vale a pena de ser vivida, independente das várias dificuldades enfrentadas. Lá, são citadas o alto preço do pão e a pouca liberdade, metáforas para diferentes obstáculos que surgem ao longo da nossa permanência neste mundo. E essa certeza é comparada a outras certezas por meio do termo comparador como, de forma explícita ou não: uma certeza matemática (verso 1), quatro certezas de cunho pessoal (versos 5 a 8) e duas certezas de que os eventos são cíclicos (versos 9 a 12). A última estrofe retoma a estrofe inicial, com ênfase na certeza de a vida deve ser vivida intensamente.
O poema 2 segue uma linha de raciocínio similar, ao enfatizar a tribulação, o obstáculo, a dificuldade. Entretanto, o eu lírico não deixa claro se houve superação ou não, se houve derrota ou não. Apenas enfatiza a lembrança dessa pedra no seu caminho. E a estratégia adotada pelo eu lírico para deixar bem clara essa marca psicológica na sua caminhada foi a inversão dos termos das orações e a repetição de palavras.
Por fim, as respectivas vozes poéticas expressam diferentes abordagens a partir das dificuldades da vida. O primeiro prefere enfatizar a necessidade de seguirmos em frente; o segundo, enfatiza a dificuldade. Entretanto, ambos também enfatizam as dificuldades da vida. Tanto é que pão, liberdade pequena e pedra - ao aproximar os dois poemas neste bate-papo - são sinônimos e, ao mesmo tempo, metáfora para tal. Da mesma forma, vida e caminho.
E a imagem acima de uma planta que consegue vencer a dureza e o calor do asfalto? Essa pequena análise de intertextualidade entre a imagem e os poemas, deixo para você, leitor.
Nesse pequeno exercício interpretativo, duas diferentes abordagens são sugeridas a mim e a você, leitor. Diante das tempestades da vida, devemos direcionar nossa atenção a elas ou buscar na nossa alma incentivos para superá-las. Na sua opinião, qual é a melhor escolha?
Eu já fiz a minha.
Fernando Fernandes
sábado, 25 de fevereiro de 2023
Esperanças sempre se renovam
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| Fevereiro de 2023 |
Felizmente, esperanças sempre se renovam.
Foi trabalho árduo. Vários alunos, de forma completamente voluntária e sem a contrapartida de nota, acreditaram na proposta daquele professor.
Sempre que pedras aparecerem no nosso caminho e você tenha vontade de desistir, faça uma varredura dentro do seu coração e busque algo que possa servir de incentivo para seguir em frente.
No meu caso, entre outras experiências motivadoras, a história desse jardim me impulsiona.
Felizmente, esperanças sempre se renovam.
Impressões
Que vontade eu tinha de estar ali. Antes, porém, registrei a cena digitalmente. “Que mico!”, Pensei. Hesitei. Por fim, desfrutei meu carpe diem em um daqueles assentos.
'Carpe Diem' e 'Locus Amoenos' - você deve se lembrar - são expressões latinas utilizadas na literatura para traduzir a experiência de viver seu sonho em um local aprazível. Exatamente o que a mídia propaga ao divulgar suas viagens paradisíacas e, por extensão de significado, no desejo de posse de determinado bem (automóvel, celular, etc).
Por outro lado, lembrei-me dos versos de Vinícius de Morais: Como a criança que vagueia o canto / Ante o mistério da amplidão suspensa / Meu coração é um vago de acalanto / Berçando versos de saudade imensa. Sim. É o vazio de algo necessário na alma do eu lírico ou algo que precisa preencher esse 'vago de acalanto'.
Por fim, sem nada combinado de véspera, enviei a imagem acima para o WhatsApp da minha esposa e pedi-lhe que respondesse à seguinte pergunta: O que vem ao seu coração a partir da imagem?
E a sua impressão sobre os dois bancos em ângulo de 90 graus chegou até mim, palavras transcrevo:
Fernando Fernandes
sábado, 11 de fevereiro de 2023
Sessenta anos
Há dez anos, chequei bem cedinho para fotografar você.
Naquele nove de abril de dois mil e treze, você estava divina. Não é qualquer dama que chegava aos cinquenta com tanta fulgurância.
Dez anos se foram. Outras pedras apareceram no seu caminho. Mas você sabia que a vida valeria mesmo a pena embora o pão fosse caro e a liberdade pequena.
Lembra-se do professor Wilson, seu filho mais ilustre? Hoje, ele continua em nossos corações e, inclusive, empresta o seu nome ao nosso auditório. E das dores causadas pela pandemia do Coronavírus? E quando a Meire partiu? Quanta dor! Quanta insegurança! Você sobreviveu! Só mesmo quem acompanhou você nesses últimos tempos foi capaz de compreender tão grande sofrimento e como você se superou.
Mas você também vivenciou inúmeras alegrias. Quantos estudantes seguiram novos rumos em sua vida graças à sua influência, aos seus conselhos e, porque não, aos seus puxões de orelhas.
Sessenta anos. Para alguns, metáfora para assentos preferenciais em transporte público, não obrigatoriedade de encarar filas, cabelos brancos, musculatura em processo de enfraquecimento, olhos em processo de perda de brilho, flacidez na pele, etc.
Sessenta anos. Para mim, a certeza de que sua juventude é ímpar. O verde que há em você revela todo o seu esplendor. Homens e mulheres que corporificam você são inebriados da garra inerente ao seu caráter.
Sessenta anos.
Eternos anos.
Fernando Fernandes
Persistência
Um gato
sem sapato.
A atenção a quem entra.
A atenção de quem entra.
Uma aula
sem celular
sem conversa paralela
sem piadinhas
sem soninhos.
Qualquer semelhança
é mera coincidência.
Fernando Fernandes
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
Honra
bolsa de couro além de ferramentas antigas?
Muita hora extra;
muito sono perdido;
mãos calejadas;
aborrecimentos.
A certeza da volta para casa;
do alimento futuro;
do sorriso da esposa;
da missão cumprida.
A chegada a Brasília;
casos sobre elevadores;
a conquista da casa própria;
viagens de carro com a família.
A benção de ter quatro filhos;
dois genros e duas noras de quebra;
sou um destes.
Que honra!
Fernando Fernandes
terça-feira, 29 de novembro de 2022
Revivendo a infância
Há muito tempo, buscava na internet algo que marcara incrivelmente a minha infância.
Dessa vez, bingo! No canal LMR VINTAGE, especificamente no vídeo em que é apresentada a descrição e a revisão de um aparelho de televisão antigo cujo link está abaixo.
https://www.youtube.com/watch?v=7vD0cEgMujM
Foi neste link que tive a grata surpresa de reencontrá-la. Sim, uma Standard Electric com portas e dois alto-falantes na parte inferior do tubo de imagem, como a apresentada no canal. Lá, há uma revisão feita e o aparelho em funcionamento. Minha tia possuía outra igual, porém para ser colocada em uma mesa. O único alto-falante ficava atrás do logotipo SE, abaixo do botão do volume e acima dos três botões em linha. Nesse caso, não havia a moldura inferior, onde ficam os dois alto-falantes da versão com portas.
Quanto a mim, foi gratificante reencontrá-la. Não é, certamente, o exato exemplar, no sentido de número de série que possuíamos na década de 60. Não importa. Ousaria afirmar: mesma marca, modelo. Infelizmente, não possuo fotos.
Cinquenta e cinco anos se foram. Entretanto, a lembrança ainda está viva. Foram muitos filmes como: Perdidos no Espaço e similares quanto a aventuras; desenhos como o do Popeye.
Em relação à chegada da primeira televisão colorida em minha casa, não consigo me lembrar da marca, layout, modelo, etc. Mas a SE da imagem abaixo...
Escola Cândido Campos - 1975
domingo, 13 de novembro de 2022
Fruto de incentivo
Há algum tempo, havia desafiado a aquela que divide minha vida há trinta anos a produzir pequenos textos a partir de imagem.
Abaixo, quero dividir algo que ela produziu a partir de uma foto tirada há uns dez dias, no Hospital das Forças Armadas, em Brasília-DF.











