segunda-feira, 18 de maio de 2026

Logo eu?

 







Você já se deparou com alguma situação em que a expressão logo eu veio à mente? Provavelmente, sim. Ouso afirmar que a experiência se deu em um momento negativo. Quem sabe, você foi o escalado para cumprir hora extra. Quem sabe, você foi premiado com um pneu furado. Entretanto, gostaria de apresentar um contexto em que logo eu representa um prêmio, um presente, uma graça, um favor imerecido.

Para tal, peço que você leia atentamente e reflita na canção abaixo. Por ora, apenas leia. Em outro momento, ouça-a.

O Amor de Deus (Rachel Novaes e Marcelo Novaes)

Graça sobre graça, recebi
E da plenitude, renasci
Quando atraído, me encontrei
No amor de Deus

Viva e poderosa salvação
Luz que me alcançou na escuridão
Todo meu pecado se apagou
No amor de Deus

Logo eu, um pobre pecador
Logo eu, tão fraco e tão devedor
Logo eu, de graça recebi o amor de Deus
Logo eu, finito e carnal
Logo eu, diante de um Deus imortal
Logo eu, de graça recebi o amor de Deus

Graça sobre graça, recebi
E da plenitude, renasci
Quando atraído, me encontrei
No amor de Deus

Viva e poderosa salvação
Luz que me alcançou na escuridão
Todo meu pecado se apagou
No amor de Deus

Logo eu, um pobre pecador
Logo eu, tão fraco e tão devedor
Logo eu, de graça recebi o amor de Deus
Logo eu, finito e carnal
Logo eu, diante de um Deus imortal
Logo eu, de graça recebi o amor de Deus

O amor de Deus é rico em benefícios
O amor de Deus não mede sacrifícios
Dos braços desse amor, recebo o perdão
Comprado por Jesus

O amor de Deus é puro e consciente
Como as manhãs, é firme e constante
Que se entregou na cruz e a morte derrotou
O amor de Jesus

Logo eu, um pobre pecador
Logo eu, tão fraco e tão devedor
Logo eu, de graça recebi o amor de Deus (o amor de Deus)
Logo eu, finito e carnal
Logo eu, diante de um Deus imortal
Logo eu, de graça recebi o amor de Deus (o amor de Deus)
O amor de Deus (amor de Deus)

A canção apresenta um eu lírico (voz poética) que compartilha sua experiência com Deus ao seu interlocutor (cada um de nós, ouvintes ou leitores). E exatamente na antítese formada pela adjetivação feita a Deus em relação ao seu amor (rico em benefícios / que não mede sacrifícios / é perdoador / é puro e consciente / firme e constante / mais forte do que a morte) versus a condição do eu lírico (pobre pecador / fraco e tão devedor / finito e carnal).

E a expressão logo eu, como se dá o lado bom quando, normalmente, ela é usada como forma de reclamação ou ponderação negativa? 

Segundo a Bíblia de Estudo Almeida, graça é a bondade excepcional de Deus para com os seres humanos, na condição de pecadores, para tornar possível o seu perdão e salvação.

Por outro lado, Efésios 2: 4 a 9 afirma: Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie (ARA). Quando o eu lírico se dá conta da sua pequenez perante o Deus eterno a ponto de entender que só por meio do sacrifício de Cristo na cruz é que a salvação pode ser obtida meio da graça ou favor imerecido, a expressão logo eu é perfeitamente lógica como atitude positiva de surpresa.

Da mesma forma, o rei Davi se sentiu imerecedor das misericórdias de Deus pouco antes da passagem do trono para seu filho Salomão. Ao término da organização de todo o material para que seu filho pudesse iniciar e concretizar a construção do templo, Davi se deu conta do quanto ele conseguiu com as ofertas voluntárias, tanto dele como da população em geral. Nas palavras do cronista: Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos fazer ofertas tão voluntariamente? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos. (I Crônicas 29: 14 - ARA)

Em Davi, a expressão logo eu também se faz presente com as palavras quem sou eu / quem é o meu povo ao se surpreender com o resultado prático daquela oferta, pois ele o o povo se sentiam não merecedores de tanta graça.

O verbete logo possui inúmeros papéis gramaticais. Todavia, seu valor exclamativo de valor positivo dificilmente acontece. Mas acontece.

Por fim, que atitudes devo tomar, que comportamentos devo ter para que eu possa ser surpreendido positivamente por algo que não mereço, seja no plano espiritual, seja no plano humano?


Fernando Fernandes


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