sábado, 11 de fevereiro de 2023

Sessenta anos

 



Há dez anos, chequei bem cedinho para fotografar você.

Naquele nove de abril de dois mil e treze, você estava divina. Não é qualquer dama que chegava aos cinquenta com tanta fulgurância.

Dez anos se foram. Outras pedras apareceram no seu caminho. Mas você sabia que a vida valeria mesmo a pena embora o pão fosse caro e a liberdade pequena

Lembra-se do professor Wilson, seu filho mais ilustre? Hoje, ele continua em nossos corações e, inclusive, empresta o seu nome ao nosso auditório. E das dores causadas pela pandemia do Coronavírus? E quando a Meire partiu? Quanta dor! Quanta insegurança! Você sobreviveu! Só mesmo quem  acompanhou você nesses últimos tempos foi capaz de compreender tão grande sofrimento e como você se superou.

Mas você também vivenciou inúmeras alegrias. Quantos estudantes seguiram novos rumos em sua vida graças à sua influência, aos seus conselhos e, porque não, aos seus puxões de orelhas.

Sessenta anos. Para alguns, metáfora para assentos preferenciais em transporte público, não obrigatoriedade de encarar filas, cabelos brancos, musculatura em processo de enfraquecimento, olhos em processo de perda de brilho, flacidez na pele, etc.

Sessenta anos. Para mim, a certeza de que sua juventude é ímpar. O verde que há em você revela todo o seu esplendor. Homens e mulheres que corporificam você são inebriados da garra inerente ao seu caráter.

Sessenta anos. 

Eternos anos.


Fernando Fernandes


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