Hoje, novembro de 2022, são quarenta e sete anos desde que concluí meu antigo ginasial (atual nono ano do ensino fundamental) na escola Cândido Campos (escola municipal - RJ), inaugurada por mim e pelos demais alunos que a estrearam. Ainda possuo o chaveiro acima. Em termos emocionais, poucas lembranças ainda povoam meu coração. Mas há três em especial que serviram de exemplo.
A) Devolutiva de uma prova de Português - Como de praxe, alunos sempre estamos ansiosos por saber cada nota que tiramos nas diversas provas escolares. Dessa vez, não foi diferente. Ao receber minha prova corrigida, a alegria por ter tirado uma nota acima da média. Entretanto, ao somar os itens corrigidos individualmente, entristeci. Não tirara o que estava na parte superior do papel. Deveria ser uma nota vermelha. Mesmo triste, dirigi-me até a professora. Ela me ouviu, conferiu a correção e, realmente, eu tinha razão. Mas ela disse. Vou manter sua nota como está como prêmio em função da sua honestidade. A alegria voltou.
B) Devolutiva de uma prova de Matemática, dias depois do caso acima - Da mesma forma, recebi a devolutiva de uma prova de Matemática e a nota, também baixa. Mas o professor havia feito alguns comentários orais antes da devolutiva. Dentre eles, a necessidade de que os cálculos estivessem feitos na própria prova. Como eu havia feito os cálculos, fui até o professor. Sem pestanejar, ele afirmou com todas as letras que aqueles cálculos foram escritos acima do cabeçalho naqueles minutos como tentativa de aumento de nota. Eu já estava dando meia-volta quando as meninas que se sentavam próximas à mesa dele contaram a ele o que ocorrera comigo dias antes, como descrito no episódio da prova de Português. Aí, o professor resolveu crer em mim. A nota foi corrigida, para cima. Novo sorriso.
C) Tarefa musical mesclada com desenho - A professora ministrava música e, em dada aula, pediu que duplas de alunos ouvissem determinada melodia e, em seguida, produzissem um desenho. Entre essas duplas, eu e o José Nelson. Atividade cumprida. Atividade entregue pelo meu parceiro de dupla. A professora me chamou à sua mesa e pediu-me para ler mentalmente o que estava na folha em que o desenho deveria estar feito. Não me recordo literalmente de cada palavra, mas o que meu colega de dupla escrevera era mais ou menos assim: por causa do meu colega do lado, não pude me concentrar para elaborar o desenho. Após lido, a professora me perguntou se eu havia compreendido o recado, no que lhe respondi afirmativamente. Por fim, ela mandou-me sentar. Apenas isso.
D) Outras lembranças, não tanto de cunho pedagógico. A ida e volta a pé de casa ao colégio com o José Nelson; algumas caronas de volta em um Aero-Willys do avô da Márcia: a própria Márcia me dando reforço em Matemática, pois faltara quase um semestre letivo por conta de viagem da família; as meninas Ana Cristina, Ana Maria, Elisabeth e Teresa além da própria Márcia (todas do Valqueire); a Maria do Socorro (morava próximo à Praça Seca); o João (morava próximo à escola Carlos de Laet) e o Giovani (Estrada do Fontinha); duas irmãs (não me lembro dos nomes) que moravam a uns 20 metros da escola; São flashes, apenas.
E) Uma lembrança de cunho administrativo ou disciplinar - Quando da transferência da Escola José Joaquim de Queiroz Júnior para a Escola Cândido Campos, fomos orientados a utilizar sempre uma folha plástica para cobrir a carteira (mesa de madeira) para não arranhá-la. Essa cor deveria ser padronizada por turma. Tempos depois, os banheiros no último andar estavam lotados de mobiliário danificado.
F) Alguns nomes - O senhor Flávio, a secretária Catarina, a diretora Norma. Alguns professores: Regina, Hélio, Maria Lúcia, Alzenir. Há outros, mas...
Por fim, torço, espero, anseio, desejo ardentemente que os flashes de memória que tenho agora não aconteçam com cada leitor. Com os recursos atuais (Facebook, WhatsApp, Instagran e afins), creio ser impossível tais lampejos.
Fernando Fernandes


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